Modernidade Difusa : A recepção Hispânica de Eugénio de Castro

Autores

Miguel Filipe
CIDEHUS - Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades
https://orcid.org/0000-0002-6218-6678
Palavras-chave: Eugénio de Castro; Estudos Ibéricos; Estudos Transatlânticos; Modernismo; Modernidade

Sinopse

Este trabalho tem como tema a receção hispânica de Eugénio de Castro (1869-1944) entre o final do século XIX e os primeiros quarenta anos do século XX. Propondo uma releitura do peso do autor na definição da modernidade ibérica, contrariando a tradicional leitura nacional e linear que lhe atribui um papel secundário na história portuguesa, adota-se a perspetiva transnacional preconizada pelos Estudos Ibéricos, a qual permite articular a diversidade de tendências que coexistem no período modernista, de que o poeta é ele próprio exemplar, dada a polimorfia da sua obra e ação.

Proceder-se-á assim a uma descrição e análise dos dados da receção espanhola de Castro, justificando-a e interpretando-a. Verificar-se-á a importância de atender à relação do espaço ibérico com as culturas ibero-americanas, cenário inaugural desta receção, e com França, referente central. Mais se observará a diversidade e longevidade intergeracional da atenção espanhola ao poeta, que toca autores habitualmente segregados no modernismo, na Geração de 98, nas Vanguardas históricas, ou no Veintisiete, sustentando a redefinição do modernismo como categoria periodológica heterogénea.

Far-se-á também a caracterização da identidade ibérica que a aproximação espanhola a Castro constrói, sublinhando a sua dimensão ideológica. Observar-se-á o seu perfil periférico, testemunhado pela presença do referente francês nos comentários espanhóis ao poeta. Mais se destacará que, se na América Castro é instrumentalizado no âmbito da descolonização cultural ibero-americana, em Espanha é objeto de uma iberização castelhanocêntrica, progressivamente institucionalizada e politizada, de teor pós-imperial, assumindo a identidade ibérica caráter supletivo.

Assim, a identidade ibérica que através da receção de Castro se inventa é periférica, castelhanocêntrica e pós-imperial, progressivamente institucional e politizada. Por último, observaremos que esse caráter periférico ajuda a justificar a ambiguidade estética plasmada nas leituras hispânicas do poeta, que motivam uma releitura da obra e ação do português, respondendo tanto a uma ideia de modernidade como a uma dimensão contramoderna.

Biografia Autor

Miguel Filipe, CIDEHUS - Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades

Miguel Filipe Mochila é Leitor de Português na Universidade de Porto Rico, ao abrigo de um protocolo com o Instituto Camões I. P. Conclui o seu Doutoramento na Universidade de Évora, com um projeto financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, sobre a receção hispânica do poeta português Eugénio de Castro. A sua investigação centra-se em escritores ibéricos e ibero-americanos dos séculos XIX e XX, tendo resultado em várias publicações em revistas e livros internacionais. Traduziu para português autores como Julio Cortázar, Blas de Otero, Juan José Saer, Nicanor Parra e Joan Margarit, entre muitos outros. Colabora como crítico com a revista Suroeste – Revista de Literaturas Ibéricas. Algumas das suas publicações mais relevantes são “A (De)Construction of Modern Literary Iberia: Translating Eugénio de Castro”, in Iberian and Translation Studies. Literary Contact Zones (2021), “The express of originality: Eugénio de Castro in the context of Hispanic modernity” (2019) ou “Talvez tudo seja a memória de um ventre perdido. A privação do espaço familiar em Miguel de Unamuno e Vergílio Ferreira” (2016).

Modernidade Difusa A recepção Hispânica de Eugénio de Castro
Publicado
julho 26, 2022

Detalhes sobre essa publicação

Co-publisher's ISBN-13 (24)
978-972-778-270-3
Date of first publication (11)
2022-07-26